sábado, 30 de novembro de 2013

Urgentes


Urgentes são eles
as suas vidas
ainda tropeçantes
certos excessos atravessam-se
num repente
querem envelhecer sem caberem
no corpo
as horas deixaram de ser tímidas
e eles ainda não suportam a passagem
do tempo
enfadam-se
quando a vida se põe a adiar





quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Crescendo


Côncavas
as mãos
fazem ninho
as palavras
dobram-se 
aos pássaros
caem por terra
o sono dos meninos



domingo, 17 de novembro de 2013

Uma casa na alameda


Um homem procurou
armadilhar o vazio
por dentro da sua casa

era como encontrar sentido
num dia banal:
a vida podia ser sentida
mais separada ou mais íntima
daquilo que é vital

por dentro da sua casa
o homem olhou
lá para fora

as folhas das árvores 
ondulavam na brisa
e a rua era uma alameda
a chamar caminho
o seu lar um vôo de asa




terça-feira, 12 de novembro de 2013

As palavras não ditas


Pudessem
as palavras não ditas
visitar o pensamento
e como uma esmola
atrevida
sossegar qualquer sentimento

mas há palavras 
que saibam
esquecer ventanias
e silenciar o tempo?


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Para silêncios fechados


Toldados olhos
para silêncios fechados

era já novembro
e pelos vidros embaciados
suspenso
um turvo instante
passageiro
quase perdido
antes vivo
mas agora anoitecido

passou
sem ser visto

sem ter acontecido